
Tem algumas pessoas que realmente fazem a diferença nas nossas vidas, não é mesmo? Fico tentando imaginar como eu seria sem essas pessoas e eu tremo só de pensar na ausência dos mesmos. Uma dessas pessoas é minha mãe, claro. Uma mulher magnífica. Que sabe ser além de mãe uma grande amiga. Foi ela que ouviu minha primeira palavra, que viu meu primeiro passo, que me levou no primeiro dia de escola, assim como na primeira aula de natação. Foi ela que me apoiou nas minhas escolhas e quando via que eu estava equivocada, interferia de uma maneira sutil e conseguia me mostrar o melhor caminho. Foi no colo dela que eu chorei por perder um amor e foi ela que me mostrou que a vida continua e que muitos amores vão chegar e partir, mais você tem que se manter em pé, sorrindo, firme e saber que esse não foi o primeiro e nem vai ser o ultimo.
Enfim, ela me ensinou tudo que eu sei e tudo o que eu sou hoje, as minhas idéias, a minha educação, TUDO, eu devo exclusivamente a ela, a minha mãe. Quando eu tinha 16 anos ela se casou novamente e veio embora para São Paulo para tentar dar uma vida melhor para mim e para meu irmão. Muita gente criticou, não acreditou. Mas eu sabia que ela conseguiria, porque o que minha mãe sabe fazer bem é correr atrás dos seus sonhos. E adivinha, ela conseguiu. Hoje temos muita coisa devido ao esforço dela e isso fez com que eu a admirasse mais a cada dia. Passamos por maus bocados, sofri, chorei por não ter seu colo, todo dia era uma batalha contra a saudade, eu sufocava o grito, o choro, a angustia por ter ela tão longe, sempre que dava eu vinha visitá-la, mais não era a mesma coisa, eu não a tinha do meu lado. Depois de um tempo, me acostumei, ainda mais porque sabia que ela não estava sozinha. O marido dela, Reginaldo, é um homem maravilhoso, que ela merece e a faz muito feliz, sendo assim eu o amo como se fosse meu 2º pai.
Hoje, estou novamente de baixo de suas asas e sinceramente, nunca me senti tão protegida e acolhida. Só tenho agradecer por tudo que ela fez e tem feito para mim, eu a amo de verdade, com todas as forças e de uma forma inexplicável. Minha linda mãe, que merece tudo que existe de mais lindo.
Mais a minha mudança para cá, não foi só flores. Tive que fazer uma escolha difícil, porque a minha família está toda no Paraná, e entre meus familiares está à outra pessoa essencial em minha vida, meu pai. Tive que escolher ficar longe dele para conseguir ir atrás do meu futuro. A despedida mais difícil dos últimos tempos. O abraço no dia que fui embora foi um misto de amor e tristeza, pois ambos sabíamos que o nosso próximo encontro demoraria meses. Meu pai, sempre foi um pai maravilhoso, tinha seus defeitos como homem mais como pai, fora perfeito. Sempre estava ao meu lado e onde ele ia, lá estava eu no seu pé. Apesar de ser policial e todos acharem que ele era rígido ele sempre foi muito meigo, carinhoso, atencioso e principalmente amoroso. Tive muita sorte por ter ele como pai. O admiro por ser um homem que sempre trabalhou, veio de uma família humilde, mais conseguiu dar a volta por cima entrando para a carreira militar, e hoje ele conseguiu uma vida confortável e conseguiu dar para seus pais certo conforto também, ele é meu exemplo de vida assim como a minha mãe.
Depois da separação, ele se casou novamente também, com a Luciane o que me deixou feliz, porque ele estava muito solitário e ela trouxe novos brilhos para seus olhos. O problema é que eu não o via com a freqüência que eu gostaria, ele sempre era transferido de cidade e isso fazia com que nossos encontros ficassem cada vez mais raros, eu sentia falta dele, do sorriso dele. Quando fui morar em Maringá, essa situação melhorou já que é lá que ele mora com a esposa. Nos víamos toda semana, nos falávamos quase todos os dias e OBA eu tinha meu pai de volta. Mais parece que por uma ‘brincadeira’ do destino, não ficamos muito tempo juntos, pois, como eu já disse me mudei para São Paulo. E agora, sentada em frente ao computador, escrevendo esse texto, não consigo conter as lágrimas de saudade que insistem em cair dos meus olhos. Pois eu consigo lembrar com muita nitidez o seu sorriso. Seus olhos. Consigo ouvir a sua voz e a sua risada. Suas brincadeiras. Talvez ele não tenha idéia da falta que me faz, na verdade, ninguém faz idéia, só eu sei o que passo todos os dias. Antes eu sofria com a ausência da minha mãe e agora eu sofro pela ausência do meu pai. E eu sei que nunca vai ser possível ter os dois ao mesmo tempo próximos de mim, e isso dói muito. Não que eu quisesse que eles voltassem a viver juntos, não é isso. Eu só gostaria que não houvesse TANTA distância entre nós. Que morássemos na mesma cidade, algo assim. Mais eu sei e já aceitei que isso não vai se tornar realidade e tenho que me contentar com a voz do meu pai pelo telefone e ver ele de meses em meses. Me dói, mais é a minha realidade e eu só posso aceitar isso.
Enfim.. estou esperando ansiosa para o Natal pois, vou poder matar a saudade do meu carequinha e aproveitar a presença dele. E quanto a minha mãe? Vou curtindo ela todos os dias, obrigada.